Como tornar um Conselho de Administração, de fato, eficaz

A necessidade de gestão patrimonial, com foco em mais lucratividade, crescimento e liquidez, faz parte da realidade de toda empresa, de diferentes portes e setores.

Trata-se de uma busca diária que envolve gestão ativa e, necessariamente, boas práticas de governança. Entre elas, um elemento assume uma posição essencial: a instituição de um Conselho de Administração. Porém, para que o Conselho realmente exerça as suas funções com eficácia, há uma série de fatores que precisa ser levada em conta.

É muito comum, em momentos de crises, as companhias atribuírem os baixos resultados   conjuntura econômica interna ou às crises internacionais. Porém, com um Conselho eficaz, é possível identificar oportunidades, se precaver e atingir bons resultados, mesmo diante de momentos adversos. Mas isso apenas é possível se respeitarmos algumas premissas básicas.

O primeiro ponto diz respeito aos membros deste Conselho. É primordial que cada conselheiro possua conhecimentos relevantes para desempenhar a função. Há exemplos globais de Conselhos formados por profissionais despreparados e sem a expertise necessária para conduzir a gestão de uma empresa. Assim, além de um conhecimento padrão de gestão entre todos, é importante formar um grupo diversificado, com visões distintas, vindas por meio de expertises e experiências em diferentes áreas ou indústrias. É esta diversidade que contribui para a boa gestão e para o fortalecimento do grupo. Somente a partir de opiniões distintas, é possível avaliar os diferentes lados da mesma moeda, com percepções antagônicas, identificando riscos e oportunidades. Quando todos possuem as mesmas referências e as mesmas percepções, corre-se o risco de não se avaliar todas as oportunidades e desafios.

Um segundo fator que afeta diretamente o desempenho de um Conselho é a base de dados referente   empresa. É preciso que os conselheiros tenham acesso a informações claras e reais para as melhores tomadas de decisão.  Apenas com um mapa sobre a atual situação financeira, as oportunidades e os riscos envolvidos é possível tomar decisões eficazes na busca por mais lucratividade, crescimento e liquidez. Mesmo um Conselho com elevadíssima qualificação, dificilmente, conseguirá tomar as melhores decisões se não tiver acesso a informações de qualidade – sejam dados imprecisos ou vagos. Da mesma forma, de nada adianta uma arquitetura de informação fantástica se não houver membros capacitados para analisar as informações e tomar as melhores decisões.

Vale ressaltar que, se a empresa não tiver este mapeamento interno, é função do Conselho definir a arquitetura de informações necessária para a tomada de decisão. O Conselho precisa buscar, identificar e acompanhar todos os dados relevantes sobre o desempenho financeiro da empresa, riscos e perspectivas. Somente com este panorama é possível realizar uma boa gestão.

Além de executivos dedicados e informações precisas e de qualidade, é fundamental que o Conselho possua estrutura e processos claros, além de uma dinâmica positiva. É importante que cada membro saiba a sua função e preserve sempre a sua independência, tendo como foco o melhor para o patrimônio da empresa. Se um conselho for constituído a partir de membros capacitados, com diferentes visões e expertises, possuir dados estruturados e houver processos bem definidos, certamente, realizará discussões dinâmicas e de alto nível, analisando alternativas sob diferentes perspectivas. É essa dinâmica que, de fato, poderá garantir a eficácia de um Conselho de Administração.

De nada adianta a iniciativa de se criar um Conselho, se ele não respeitar os princípios básicos para exercer a função para a qual foi criado. O Conselho deve buscar a proteção e a valorização do patrimônio de uma companhia. E isso apenas é possível com membros dedicados e capazes, dados estruturados, processos e uma boa dinâmica.

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