Governança é essencial para o crescimento e a liquidez

As boas práticas de governança criam os alicerces necessários para o crescimento sustentável e de qualidade.

Ser “líquido” independe de querer vender, e é melhor ter a opção e não a exercer do que ser impossibilitado disso. Para ter liquidez, é preciso que a organização tenha governança corporativa. Esse é um termo que está na moda, mas a verdade é que, grande ou pequena, poucas companhias entendem como fazer a governança funcionar para gerar valor para os acionistas.

Quando uma empresa é criada, o dono é quem assume a condução completa da companhia, desde a negociação com fornecedores e prospecção de clientes, passando por questões de recursos humanos, até pós-venda e logística. Porém, assim que a empresa cresce, torna-se fundamental a implantação de ferramentas, processos e boas práticas de gestão, de modo que a organização consiga andar com as próprias pernas e não limite o seu tamanho à capacidade individual do dono. Governança, neste caso, significa independência, e existem casos claros no mercado de “independência ou morte”.

O modelo centralizado em um único gestor coloca as companhias num caminho perigoso que, a longo prazo, pode comprometer a saúde da organização. Conheci empresas com faturamento de R$ 70 milhões até R$ 80 milhões por ano, com um único gestor (dono) no comando. Nestes casos, quando a empresa ultrapassa a barreira dos R$ 100 milhões de receita, a experiência mostra que o risco do dono simplesmente perder o controle cresce de maneira exponencial.

As boas práticas de governança criam os alicerces necessários para o crescimento sustentável e de qualidade. É difícil abrir mão de tomar todas as decisões e delegar responsabilidades a pessoas que não farão as coisas como você. Mas é necessário. Se você limitar o tamanho da sua empresa à sua capacidade individual, não tem um negócio, tem um emprego. Além disso, a dependência prejudica a liquidez, não há dúvidas sobre isso.

A governança que evolui sozinha traz muito dinheiro e melhora a liquidez da empresa. As companhias, afinal, são remuneradas de acordo com as metas que precisam cumprir. E quando você não delega essas metas, não tem como cobrá-las depois.

O modelo que fundos implementam privilegia a adoção de processos, comitês e conselho de administração que tenham autonomia. Assim, não importa se o dono tem a intenção de se manter à frente do negócio ou vender a empresa. A grande questão é que, se ele um dia ele resolver vendê-la, vai conseguir. O problema é quando ele decide vender e ninguém compra.

Toda empresa de médio ou grande porte deve refletir um pouco sobre esse assunto; crescer e ter liquidez é essencial para qualquer negócio. Mas o empresário tem que estar disposto a abrir mão de decisões e delegar. Sem isso, governança corporativa é uma palavra longa, bonita e vaga.

Artigo escrito por Eduardo Shakir Carone e publicado nos jornais Brasil Econômico e Jornal do Commercio

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