Como a Inteligência Artificial mudará a Governança Corporativa?

Investimentos crescentes em tecnologia de Inteligência Artificial (IA) transformaram muitas áreas no mundo dos negócios, especialmente entre as organizações de alta tecnologia e financeiras. Os gastos externos em projetos relacionados à IA aumentaram para US $ 12 bilhões em 2016. As empresas que buscam IA podem se concentrar no potencial para automatizar tarefas de baixa habilidade, mas estão negligenciando uma grande oportunidade.

A Inteligência Artificial também pode desempenhar um papel significativo na Governança Corporativa. Ela pode ajudar a agilizar os processos de tomada de decisão e prever melhor o resultado futuro de tais ações. Como tal, a IA pode melhorar a liderança de uma organização.

Uma das tarefas mais assustadoras de qualquer membro do Conselho é determinar em quais executivos confiar. Quem tem os dados para fazer backup de suas reivindicações e quem está simplesmente dando ao Conselho a solução? Empresas como a Salesforce já começaram a implementar a tecnologia IA em sua sala de reunião para ajudar a resolver disputas. O CEO Marc Benioff contratou um “assistente” de IA chamado Einstein.

Segundo o “Business Insider”, Einstein acompanha Benioff em todas as suas reuniões. Depois de todos terem falado, Benioff pode recorrer a Einstein e perguntar quais executivos “precisam de atenção” e quais estão lhe dando informações imprecisas. Os dados obtidos com a tecnologia IA funcionam bem como uma ferramenta persuasiva para outros executivos de nível C ou para o Conselho. Eliminar a inteligência de alto nível é uma tarefa que a maioria dos executivos e membros do Conselho abominam.

 A tecnologia está ajudando o Conselho a tomar decisões mais simples e decisivas.

Uma das melhorias em seus mecanismos de Governança Corporativa vem da avaliação de dados. Você não precisa confiar em um pressentimento ou em relatórios que não tenham as informações corretas para apoiar decisões específicas. Acredita-se que a Deep Knowledge Ventures, uma empresa de capital de risco sediada em Hong Kong, seja uma das primeiras organizações a adicionar uma IA à sua diretoria.

A tecnologia atua como um observador e fornece análises úteis e insights para o resto dos membros do Conselho. O fundo se concentra em projetos biotecnológicos e biomédicos e usa a Inteligência Artificial para evitar investimentos que pareçam promissores, mas na verdade acabam sendo exagerados. O quadro objetivo em vigor também fornece outra perspectiva sobre movimentos de negócios arriscados. A Deep Knowledge Ventures permite que sua IA reúna informações e a observe objetivamente.

Ser capaz de interromper seu setor é um benefício no cenário de negócios de hoje, mas somente se esse pivô for uma boa jogada para a organização.

Previsão de resultados

A IA mostrou prever tudo, desde decisões da Suprema Corte até votos do Congresso com precisão. Por que o resultado de uma votação na diretoria deveria ser diferente? A precisão nos resultados de fusões, investimentos e outras decisões importantes é outra tarefa que as empresas estão apostando. Muitas empresas também estão usando a Inteligência Artificial para prever os resultados de ações judiciais corporativas.  Evitar taxas legais pesadas ou investir no Conselho jurídico certo, dá à corporação uma enorme vantagem sobre a concorrência. Também pode tratar de possíveis retrocessos governamentais com um acordo ou fusão.

Os membros da diretoria podem ter dúvidas sobre sistemas automatizados que tentam executar tarefas de liderança de alto nível, afinal eles passaram suas carreiras inteiras em suas posições, então não querem se sentir como se estivessem sendo substituídos por algo que não tem esse vasto conhecimento. Uma abordagem futura para a IA na sala de reunião pode ser a tecnologia como um acréscimo às habilidades da diretoria.

Eles recebem uma ajuda com tarefas que são tediosas para um humano rastrear. Quaisquer documentos e relatórios que você envia para os diretores são personalizados com base em suas preferências pessoais e profissionais. Eles gastam menos tempo para chegar aos elementos mais importantes para o processo de tomada de decisões, e a IA pode acelerar esse processo de personalização.

Dessa forma, a IA pode melhorar significativamente a Governança Corporativa, mas a adoção em larga escala ainda pode estar longe.

Perigos da Inteligência Artificial ​​na Governança Corporativa

IA é tão bom quanto os dados e recursos que você fornece. Se a IA trabalhar com suposições falsas ou se sua organização tiver uma qualidade de dados ruim, você poderá ser desviado. A infra-estrutura subjacente e as fontes de dados precisam ser sólidas antes que a IA possa fazer contribuições significativas para a empresa. O buy-in no nível executivo é outro desafio, especialmente se os membros do Conselho falharem em vê-la como uma ferramenta complementar às suas operações.

Explicar mais sobre o tipo de solução de inteligência que você está usando e como ela opera, pode ajudar a resolver essas questões. Isso é especialmente importante para pessoas que não são tão experientes em tecnologia quanto os diretores de TI e outros líderes em tecnologia. Para algumas pessoas, IA significa a mesma coisa que um robô autônomo de um show de ficção científica.

No entanto, a Governança Corporativa pode ganhar muito com a implantação de uma solução de IA quando usada como um aprimoramento para talentos de alto nível. Aproveitar essas soluções é essencial para preparar a sua organização para o futuro e dar seus próximos passos.

FONTE:

AUTORIA:

  • Mark Van Rijmenam

Tecnologia a favor da eficiência nos Conselhos de Administração

Quando se constrói uma empresa o pensamento de longo prazo é essencial, afinal é necessário sempre pensar no futuro para obter bons resultados e manter a organização funcionando de forma eficiente. Após os escândalos de corrupção envolvendo grandes organizações, a Governança Corporativa se tornou essencial e os Conselhos de Administração, um órgão necessário para manter o desenvolvimento sustentável da empresa.

Com um Conselho de Administração as decisões e estratégias são analisadas por diversos pontos de vista, possibilitando tomadas de decisão mais assertivas. É importante mencionar que a Governança faz parte do jogo, mas não é a única peça essencial e por isso é necessário a compreensão de outros fatores, como por exemplo, a Transformação Digital.

A Era Digital está cada vez mais presente e os Conselhos de Administração não estão ficando para trás. Com o avanço da tecnologia, estratégias digitais estão sendo implementadas para garantir o sucesso dos negócios. É de se esperar que com os avanços tecnológicos, práticas que eram consideradas eficientes se tornem ultrapassadas, assim como a utilização de e-mails sem qualquer segurança para encaminhar documentos importantes da empresa aos Conselheiros.

A forma de comunicação foi adaptada e hoje existem softwares e aplicativos que concentram todas as informações necessárias para as reuniões de Conselho de forma simples, rápida e segura. Portais de Governança que auxiliam no aprendizado através de artigos, cursos profissionalizantes (EAD) e plataformas online que facilitam na seleção de Conselheiros.

Um exemplo dessa transformação na comunicação das organizações é o nosso software. O Atlas consegue atender as necessidades de um Conselho de Administração de forma simples. Foi modelado para garantir que decisões sejam colocadas em prática, e incentivar gestores a olharem para novos negócios e planejarem o futuro da organização.

A revolução digital está ganhando cada vez mais força, não se adaptar pode tornar os processos das empresas desgastantes e consequentemente levar a falência.

Investir em tecnologia não significa a substituição de humanos por máquinas como muitos têm imaginado,  mas sim um começo para elevar a organização ao patamar desejado. É necessário entender os obstáculos que impedem o crescimento do negócio e encontrar a melhor forma de utilizar a tecnologia ao seu favor. Busque por alternativas viáveis e use os meios mencionados para liderar uma boa gestão!

  • Artigo desenvolvido por Shirley Melo

Governança Corporativa: cuidados que geram benefícios

A prática da Governança Corporativa vem se mostrando cada vez mais imprescindível como forma de garantir a continuidade das organizações, aprimorando os padrões de controle interno e externo para auxiliar na tomada de decisões, melhorar o nível de informação e transparência, trazendo maior acesso de capital, respeito do mercado e dos investidores.

Contudo, a importância do tema é muito mais explorada nas empresas grandes e de capital aberto, pelas inúmeras obrigações e informações que são impostas a divulgar. Dessa feita, as empresas limitadas e de capital fechado, que não acessam o mercado de capitais por meio de listagem de ações ou de outros valores mobiliários, estão descobrindo o valor e os benefícios que uma estrutura robusta de Governança Corporativa pode trazer.

Nesses casos, é interessante que referidas empresas realizem uma autoavaliação de sua estrutura de Governança Corporativa, como análise das práticas internas, do andamento dos órgãos societários, o relacionamento entre os sócios, funcionários, clientes, Conselho de Administração, diretoria, órgãos de controle, fiscalização, conduta e conflito de interesses. As empresas familiares ainda devem verificar especialmente as relações entre os familiares e os negócios.

A partir dessa análise, a empresa poderá refletir acerca das práticas internas e externas e avaliar possíveis mudanças a serem implementadas.

A importância da autoavaliação é que a empresa poderá ponderar sobre seu sistema de controle, monitoramento e práticas de Governança Corporativa estabelecidas, podendo implementar alterações e melhorias, de forma a permitir que os administradores aperfeiçoem suas decisões, potencializando o valor da empresa e atendendo melhor aos interesses dos sócios e de outros credores, o que tende a reduzir o custo de capital.

Os benefícios trazidos pela adoção de boas práticas são variados, podendo ser citados os seguintes exemplos: melhoria no relacionamento entre os sócios e entre eles e os administradores; diminuição no custo de captação de capital, o que inclui não somente os empréstimos bancários, mas a concessão de prazo pelos fornecedores e o cumprimento dos pagamentos pelos clientes; possibilita melhoria na eficiência na alocação de recursos – tanto financeiros, quanto materiais e humanos, reduzindo as situações de fraudes; recrutamento e retenção de talentos (funcionários e colaboradores); enfim, melhoria da imagem da empresa perante o mercado, os empregados e colaboradores, além de clientes e fornecedores.

No entanto, a efetividade de uma boa governança não é automática: deve existir uma estrutura interna e objetiva, com a finalidade de reduzir os conflitos e agregar valor à empresaPara tanto, o alinhamento de interesses entre os sócios, entre os órgãos de administração e stakeholders é essencial, pois é a partir daí que os administradores poderão implementar mudanças e regras compatíveis com a estrutura e funcionamento da empresa.

As empresas limitadas e de capital fechado em especial têm o desafio de enriquecer a governança, sem comprometer a flexibilidade das atividades negociais diárias. Dessa forma, ao implementar boas práticas, efetivamente estudadas e aplicáveis caso a caso, os administradores podem se concentrar no crescimento da empresa a longo prazo, adotando ações que atraem investidores e talentos humanos, além de trazer visibilidade e respeito do mercado.

FONTE: 

Como acelerar a diversidade de gênero nos Conselhos?

O tom de muitos discursos públicos sobre a questão da representação de mulheres nos Conselhos de Administração tem sido pessimista. Dito isso, algumas empresas progressistas estão assumindo a liderança, procurando uma presença feminina em novos lugares e trazendo-os abordo de novas maneiras. Muitos sentem que ainda têm um longo caminho pela frente, mas suas experiências são salutares para aqueles que estão ficando para trás e querem entender melhor como fazer a mudança acontecer.

Recentemente, uma análise mostrou que as mulheres ocupavam pelo menos 33% dos assentos no Conselho entre as 50 principais empresas (até quase 60% para a porcentagem mais alta). Ao todo, a representação feminina aumentou em média 24 pontos percentuais desde 2005. Através de pesquisas foram encontrados alguns tópicos que podem ajudar na aceleração da diversidade de gênero, são eles:

MUDANÇA DE MENTALIDADE

Mesmo os retardatários reconhecem que aumentar a porcentagem de mulheres na força de trabalho e nos Conselhos é a coisa certa a fazer. Mas a convicção geral não é suficiente. O que muitas vezes falta, diz Fabrizio Freda, presidente e CEO da Estée Lauder Companies, é um senso de urgência:

As pessoas acreditam que chegaremos lá eventualmente, mas isso não é suficiente. É muito lento. O verdadeiro obstáculo é a falta de urgência.

Freda foi um dos muitos executivos entrevistados que insistiram que uma mudança significativa viria somente quando os executivos dessem menos desculpas e trabalhassem juntos. Para alguns, isso significou estabelecer um número-alvo de cargos no Conselho para as mulheres, enquanto outros cuidam para garantir que a lista de candidatos seja diversa desde o início, sem a adesão a uma cota estática.

Como Mary Dillon, CEO da Ulta, explica: “Para manter ou expandir a diversidade em nosso Conselho, continuamos a fazer um esforço ativo para garantir que a chapa seja diversificada. Apenas o ato de ser consciente e ter em mente que toda lousa tem que ter diversidade, impulsionará a ação.

EXPANDIR CRITÉRIOS

Apesar de seus melhores esforços, algumas empresas citam o pequeno grupo de mulheres como um desafio contínuo. E acrescentam que critérios específicos para especialização em áreas como tecnologia digital estreitam ainda mais o campo.

Superar essa realidade de números desiguais requer abertura para soluções criativas.

O presidente e CEO da Genpact, Tiger Tyagarajan, observa que algumas pessoas podem preferir se juntar ao Conselho de uma empresa de médio porte, onde podem ser mais engajadas e impactar a estratégia da empresa. Os líderes também dizem que olhar além dos atuais ou antigos CEOs e executivos para candidatos em outras esferas como direito, academia e setor social pode ser gratificante também, um rico equilíbrio de perspectivas.  Em última análise, trata-se de definir o que não é negociável, como especialização digital ou financeira e depois ver o que é flexível, de modo a cumprir as metas de diversidade de gênero e enfrentar desafios específicos.

MANTER UM PIPELINE ATIVO

Criar e cultivar efetivamente um pipeline ativo de candidatas do sexo feminino é, sem dúvida, o elemento mais importante de um esforço bem-sucedido de inclusão de Conselhos.  Confiar apenas em um tipo de pesquisa pode produzir candidatos altamente qualificados que não sejam particularmente adequados à dinâmica pessoal do Conselho.

Um pouco de paciência também pode ser necessária. Como John Thompson, presidente da Microsoft, aponta, alguns dos melhores candidatos podem levar dois ou três anos para cultivar. Ao se dar ao trabalho de conhecer potenciais candidatos, mesmo aqueles que podem não estar disponíveis por algum tempo, as empresas estabelecerão fundações para o longo prazo. Empresas que estão abertas sobre sua busca pela diversidade, por sua vez, também se beneficiarão no longo prazo.

A diversidade ajuda a atrair e motivar funcionários talentosos e aumenta a qualidade da tomada de decisão.

Para começar, a diversidade do Conselho não é apenas sobre gênero. Como McMullen explica: “Eu sempre penso que a diversidade de background é importante, mas também a diversidade de experiências, pensamentos e planos de carreira.” Marc Lautenbach, presidente e CEO da Pitney Bowes, coloca desta forma: “Embora não tenhamos um número específico em mente, nós temos uma apreciação do valor que a diversidade pode trazer. Na minha opinião, é um pouco como montar uma orquestra. Eu sei que preciso de vários instrumentos diferentes; se eu tenho três de um e dois do outro, ou três de um e três do outro – isso erra o ponto. É sobre como todos os instrumentos se misturam. ”

É importante reconhecer que a inclusão de gênero em todos os níveis da empresa é fundamental.

As empresas podem promover a inclusão de Conselhos preparando suas próprias executivas para futuras participações: colocando-as em funções com responsabilidade de lucros e prejuízos, garantindo que tenham mentores comprometidos e capacitados para enfrentar a Governança e problemas de estratégia dos Conselhos. Isso pode criar um ciclo virtuoso que acelera o progresso da diversidade e neutraliza o cinismo com histórias de sucesso.

FONTE:

Faz sentido ter um conselho na minha startup?

Indo direto ao ponto: faz. Naturalmente você tem que moldar o seu conselho para as suas necessidades e momento. Se é hora de crescer, melhor trazer conselheiros com experiência em aumento da base de clientes. Se a hora é de vender a empresa ou receber uma rodada relevante de investimento, e você vai passar por uma due diligence, alguém com experiência em auditoria e valuation pode ser muito útil.

 O que um conselheiro pode (e deve) oferecer à minha startup?

Acesso

Pessoas mais “rodadas” conhecem muita gente, as vezes pessoas daquele cliente que você está louco para conseguir, ou de empresas de prestação de serviços que normalmente não atenderiam uma startup, mas o fazem a pedido do seu conselheiro. Um bom conselheiro também conhece fontes de capital para sua empresa.

Credibilidade

Em especial para captar dinheiro, é importante ter uma estrutura organizada e com credibilidade. Ter um conselheiro que já captou dinheiro, passou por todo o processo, e ainda deu bons retornos para o investidor aumenta bastante a chance de aposta dos investidores na sua empresa.

Experiência

Montar uma empresa não é tarefa fácil. É necessário gerir fornecedores, clientes, tecnologia, obrigações fiscais, jurídicas, administrativas, de pessoal, etc. Cada dia um problema novo. Ter alguém que já passou por isso para consultar sempre que necessário economiza muito do seu tempo, e acelera de forma significativa os resultados da empresa.

Sucessão

Sucessão significa passar a empresa para outra pessoa tocar. Não importa se esta outra pessoa é um comprador, familiar ou profissional. Um bom conselho possibilita que o dono da empresa/CEO seja sucedido. Por que isso é bom? Se você vender a sua empresa, quer aproveitar o dinheiro ou permanecer como empregado do comprador por muitos anos?

É importante esclarecer alguns mitos sobre conselhos:

Um conselho vai engessar a minha empresa e criar burocracia?

Não. A maior parte das startups não tem necessidade de ter um conselho de administração formal eleito em assembleia e registrado na junta. Um Conselho Consultivo ( Advisory Board), não é deliberativo, e por esta razão não engessa a empresa. É um órgão que vai te ajudar a desenhar a estratégia, crescer e suceder a empresa.

Um conselho é caro demais?

Talvez. Sem dúvida é possível ter um conselho caro, mas não é necessário. É comum conselheiros trabalharem por algum quinhão de equity no caso de startups. Há também pessoas experientes como executivos, mas iniciando a carreira de conselheiro. Em alguns casos, estas pessoas aceitam uma ou duas cadeiras sem remuneração, para se estabelecerem como conselheiros.

Conselheiros são velhos ultrapassados?

Novamente, talvez. Mas talvez o melhor conselheiro que você pode ter é outra pessoa nova, que eventualmente já vendeu a sua startup. Só é importante dizer que o velho ultrapassado as vezes tira uma carta da manga que ninguém viu ou pensou. A experiência tem dessas coisas.

Só vale a pena ter conselho quando houver investidores?

Investidores profissionais costumam sim exigir a criação de um conselho. Dinâmica de um conselho é como academia, o treino é que vai surtir efeitos. Entrar em um conselho de administração formal sem ter passado por um consultivo é como entrar no treino avançado no primeiro dia de academia.

E como eu começo? O bom e velho QQQ ajuda bastante

Quem?

Quais são os profissionais que vão compor o seu conselho? É bom levar em consideração habilidades e experiências setoriais. Escolha a dedo as pessoas que tem capacidade de implementar a visão da empresa. Não tenha medo de errar; se algum conselheiro não funcionar no primeiro ano, no segundo você o substitui.

Quando?

Acerte com todos um calendário de reuniões para o ano. Isso evita desencontros de agenda de última hora. Se a sua empresa está em ritmo franco de crescimento, provavelmente você vai ter assunto para reuniões em bases mensais. Se for uma empresa mais consolidada, reuniões bimestrais ou trimestrais devem resolver.

O Que?

Procure acertar uma pauta mínima para ser coberta durante o ano. Não há receita de bolo, mas eu gosto de dividir a reunião em três pilares: (i) Estratégia, (ii) Governança e Gestão e (iii) Resultados e projetos. Há uma abertura um pouco maior destes três tópicos no último artigo que escrevi: Como se tornar um bom conselheiro em 3 passos.

  • Artigo desenvolvido por Eduardo Shakir Carone

Atlas no Estadão: Recebemos aporte!

Criada para digitalizar o trabalho dos conselhos das empresas abertas e fechadas com mais de 100 funcionários, a Atlas Governance acaba de receber aporte de R$ 1,5 milhão. Entre os investidores estão Leonardo Pereira (ex-presidente da CVM), Wilson Amaral (ex-CEO da Gafisa) e Paulo Camargo (CEO da franquia do McDonald’s na América Latina).

Gente grande. No último ano, a startup conquistou 35 clientes de grande porte como Riachuelo, Cyrela, Shopping Iguatemi, CVC Turismo, Even, Triunfo Participações, Direcional Engenharia e Hospital Sabará. Os recursos serão destinados à ampliação da equipe, novos produtos e retenção de clientes. O objetivo da Atlas é chegar a 180 conselhos, até o fim do ano.

FONTE:

Como se tornar um bom conselheiro em 3 passos

Observem que o termo governança foi sempre precedido do adjetivo boa. Isso porque governança corporativa não é necessariamente algo bom por si só. Corporativa vem de corporações, mais facilmente entendido como empresas. Governança deriva de governo. Governança Corporativa nada mais é que a forma como uma empresa é governada. Até então, é um conceito neutro.

Quando um dono de uma empresa toma todas as decisões sozinho, e passa por cima dos funcionários, isso é governança corporativa. Uma péssima governança, mas não deixa de ser a forma como a empresa é governada. Se você tem um sócio, por definição já existe um processo mínimo de governança corporativa.

O principal conceito a ser entendido é o de Governança Corporativa. A despeito de muitas definições complexas facilmente encontradas na internet, governança corporativa pode ser vista como prestação de contas. Se você responde para alguém pelo seu trabalho, isso é boa governança corporativa.

Se você tem que apresentar números, metas ou cumprimento de prazos, isso também é. Se você tem que submeter sua decisão para alguém (ou para um grupo de pessoas) antes que ela seja colocada em prática, isso é boa governança. Sempre que existe essa camada de “prestação de contas”, estamos colocando uma camada de boa governança.

Governança Corporativa nada mais é do que a forma como a empresa é governada. A espinha dorsal deste governo é a prestação de contas.

Um conselho é, de certa forma, um governo. Cabe a ele definir a estratégia a ser seguida pela empresa, e apoiar e supervisionar a gestão da empresa na entrega destes objetivos. Outra questão importante é a diferença entre Conselho de Administração e Conselho Consultivo.

Conselho de Administração é um órgão deliberativo previsto para empresas S/A (sociedades anônimas). Nele, todo o trâmite é legal e registrado. Por consequência, o conselheiro torna-se administrador da empresa, e passa a responder legalmente pelos atos da empresa. Processos movidos contra a empresa podem implicar em ameaça ao patrimônio pessoal do Conselheiro. Por esta razão, é importante que a empresa contrate um seguro “D&O” (Directors and Officers) em casos como este.

O Conselho Consultivo é um órgão não regulado. Não significa que ele não pode exercer o mesmo papel de um conselho formal de administração, mas necessariamente representa um risco reduzido para o conselheiro.

Diferentemente de um Conselho de Administração, um Conselho Consultivo não é regulado, e traz menos risco para seus conselheiros.

O que um Conselho de Administração discute?

Não há regra, mas nas reuniões em que participo, gosto de dividir a pauta em três grandes grupos: (i) Estratégia, (ii) Governança e Gestão e (iii) Resultados/Acompanhamento de Projetos.

Dentro de estratégia, são assuntos recorrentes missão, visão e valores, ambientes concorrencial, político, econômico, social e de tecnologia, fusões e aquisições, valuation, EVA, SWOT e alguns outros termos em inglês. Dentro de cada discussão, é fundamental “pescar” os objetivos estratégicos e mapeá-los, para que se tornem projetos, ou uma série de ações.

Por exemplo, o objetivo estratégico “Melhorar o perfil do endividamento da empresa” pode se converter em um projeto de renegociação do endividamento, ou captação de novos recursos com bancos de fomento (BNDES, por exemplo). Um objetivo estratégico de “Expandir as operações regionalmente” pode se converter em um projeto de adquirir uma empresa local.

Governança e Gestão: Posso ser criticado apenas por escrever a palavra gestão aqui. Estudiosos de governança corporativa são muito claros na posição de que conselho não se envolve em gestão. Na prática, é difícil estabelecer essa muralha da China, especialmente quando a gestão pede o apoio do conselheiro em questões que ele pode ajudar. Conselheiros já foram gestores, normalmente bons gestores; é da natureza deles ajudar.

É importante conter o ímpeto quando o conselheiro se pega fazendo o trabalho da gestão, mas não vejo nenhum problema em trabalhar conjuntamente com ela, especialmente se esta ajuda partiu de uma solicitação da própria gestão. No fim, existe um pouco de semântica na discussão, difícil ser tão xiita. O que um conselho trabalha em governança e gestão? Auditoria, Estrutura de Capital, PLR e Bônus, Compliance e Riscos, Sucessão da diretoria, orçamento, planos de longo prazo, a avaliação do próprio conselho, dentre outros temas.

Não há muito o que explicar sobre resultados e projetos. É fundamental acompanhar os números e indicadores prometidos, e o andamento dos projetos (como os mencionados em Estratégia, acima). Essa seção se resume a entregar o que foi prometido. Dentro do prazo e do orçamento.

Existem conselhos que focam apenas nos resultados, sem envolvimento relevante na estratégia ou gestão. São um mal aproveitamento do tempo dos profissionais envolvidos, muitas vezes eles teriam muito mais a contribuir se fossem demandados neste sentido.

Um Conselho deve dedicar seu tempo a discutir Estratégia, Governança, Gestão, Resultados e acompanhamento de Projetos.

 Entenda como você pode ajudar, e quem precisaria da sua ajuda

Procure listar suas habilidades, e suas experiências práticas e tente pesquisar quais setores ou organizações fariam bom uso desta experiência. Lembre-se: uma habilidade fundamental para uma empresa, pode ser totalmente desnecessária para outra. Isso vale também para o timing. Uma habilidade pode ser hoje essencial para uma organização, e tornar-se secundária amanhã.

Procure se encaixar bem em termos de setor, empresa e timing. Experiência é fundamental, mas ela é sempre relativa; gosto da metáfora de “Em terra de cego, quem tem um olho é rei”. A experiência válida para uma empresa pode ser inválida para outra.

Se você é um auditor ou especialista em contabilidade e demonstrações financeiras, pode ser um bom conselheiro para uma empresa que pretende passar pelo processo de auditoria pela primeira vez na vida, ou que precisa implementar boas práticas de compliance. Esta mesma experiência pode ser inócua se aplicada em uma empresa de serviços profissionais do próprio setor de contabilidade.

Habilidades podem ser mais ou menos importantes, dependendo da empresa, do setor e do timing.

Como todo plano, é necessário ser implementado

Converse com pessoas que já participam de conselhos. Encontre a sua oportunidade, não espere a oportunidade encontrar você! Se este for o seu primeiro Conselho de Administração, é pouco provável que um convite chegue na sua caixa; com o tempo e experiência, convites tornam-se mais frequentes. Certificações são válidas, mas estão longe de representar uma vaga em um conselho.

Empresas não buscam conselheiros baseadas em certificações, buscam baseadas nas experiências que eles têm, e nos benefícios que podem gerar para elas. Então, se você acredita ter potencial para ser conselheiro, converse com outros profissionais que já fazem isso, aborde empresas que poderiam se beneficiar da sua experiência.

Há também plataformas profissionais e independente do canal, construa sua posição onde ela poderá trazer real benefício governando corporações.

  • Artigo desenvolvido por Eduardo Shakir Carone

Pesquisa de Mercado – TI

Publicamos hoje nossa pesquisa de mercado sobre o resultado do 3T2018 das empresas de tecnologia listadas na bolsa.

Clique aqui e tenha acesso aos resultados da pesquisa!

Pesquisa de Mercado Varejo – 3T18

Publicamos hoje nossa pesquisa de mercado sobre as empresas de capital aberto do setor varejista.

Clique aqui e tenha acesso aos resultados da pesquisa!

Pesquisa de Mercado Real Estate – 3T18

A ATLAS Governance publica hoje a pesquisa de mercado sobre as empresas de capital aberto do setor de incorporação imobiliária.

Clique aqui e tenha acesso aos resultados da pesquisa!