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Chairman: o que é e qual sua importância no Conselho de Administração de uma empresa

Publicado em 11 de Maio de 2021

Presidente do Conselho de Administração Presidente do Conselho de Administração

O Presidente do Conselho de Administração (PCA) – ou Chairman, como também é conhecido – é uma figura que não é muito lembrada em debates ou conteúdos e pesquisas sobre governança corporativa. Na verdade, ele se mistura frequentemente com os demais membros do colegiado como conselheiro.

Tudo que se refere ao conselho de administração dificilmente aborda o presidente de forma separada. Todavia, o presidente é importantíssimo dentro de um conselho de administração, mesmo que não haja muitos holofotes sobre ele. Entenda!

Responsabilidades do Chairman

 

Entre as principais responsabilidades do chairman está a liderança dos trabalhos do colegiado com o objetivo de extrair dos conselheiros o melhor que cada um pode oferecer, baseado na experiência, conhecimento, habilidades e competências. Assim, ele contribui para que a organização alcance os melhores resultados de desempenho e expansão de suas atividades.

O chairman também tem como uma de suas responsabilidades conduzir os comitês de forma estratégica, a fim de garantir que o foco seja mantido e todos os pontos da pauta sejam devidamente discutidos.

Características que o Presidente do Conselho precisa cultivar

 

Para que isso tudo aconteça, a pessoa que ocupa o cargo de presidente do conselho administrativo precisa saber como cobrar o comprometimento e avaliar a contribuição de cada conselheiro. É necessário que ele ou ela seja capaz de influenciar um grupo e enxergar o potencial de cada membro além de questões técnicas, trabalhando ativamente para que haja coesão, sempre com respeito às diferenças (sem o efeito manada), pois sabe que isso enriquece qualquer debate e avaliação de propostas, oportunidades, riscos e cenários.

O chairman que tem este perfil sabe que o conselho de administração precisa ser parceiro ativo da diretoria executiva. Ele entende que é preciso criar condições para que haja uma liderança colaborativa com o foco na melhoria dos processos de governança e gestão e sabe, também, até onde o colegiado pode ir nessa parceria (ao evitar entrar em assuntos que não são de responsabilidade do conselho).

É oportuno destacar isso, pois um conselho de administração que atue de forma passiva ou apenas para cumprir tabela gera um custo desnecessário e coloca a organização e os conselheiros em situação de risco, principalmente no caso de decisões aprovadas que não foram amplamente discutidas no colegiado. Mas, afinal, o que seria atuar de forma passiva e que riscos são esses? Veja a seguir:

Riscos da passividade no Conselho de Administração

 

Em 2017, por exemplo, a agência de crédito norte-americana Equifax sofreu um dos maiores crimes cibernéticos. Informações confidenciais de 147,9 milhões de estadunidenses, 15,2 milhões de britânicos e cerca de 19 mil canadenses foram violadas. O ataque se deu através de uma brecha no software da Apache Struts, usado pela Equifax para hospedagem. A falha foi corrigida, porém a organização não fez atualização em seus servidores – o que possibilitou o desastre.

O Presidente e o Conselho de Administração atuam juntos nas reuniões para que a organização se precaveja de desastres como esse. Como? Com discussões deliberativas a partir de uma análise da Matriz de Riscos – todas as ameaças à empresa divididas por áreas, probabilidades e impactos. Reuniões tão-só expositivas em relação aos resultados anteriores focam tanto no passado que deixam a empresa com a guarda baixa para o futuro.

Nesse sentido, o chairman deve, ao elaborar o planejamento anual do conselho de administração, incluir avaliações sobre riscos como pauta a ser discutida com frequência nas reuniões, visando sempre a tomada de precauções. Um bom presidente trabalha de forma ativa e prepara os encontros do conselho com seus olhos fitos no futuro!

15 pontos que justificam a importância do Chairman

 

Em resumo, conheça 15 atividades do presidente do conselho de administração (PCA):

Boas e más práticas de gestão

  1. Conduzir as reuniões do conselho com o foco nas questões estratégicas e mais relevantes para a organização, fazendo com que a reunião seja mais deliberativa – isto é, olhando para o futuro e decidindo, a partir de amplas discussões, os passos a serem tomados – do que meramente expositiva – expondo apenas resultados sem pensar em soluções – e evitando o desvio de atenção para assuntos que não são de responsabilidade do colegiado;
  2. Estimular a participação de todos os conselheiros com as suas opiniões e avaliações. Isso pode ser feito de várias formas. Uma delas é incluindo no planejamento anual do Conselho pautas que envolvam as perícias de cada conselheiro;
  3. Coordenar os trabalhos com total observação à disciplina e estabelecimento de limites na atuação dos conselheiros;
  4. Deixar bem claro aos conselheiros a importância de respeitar e observar os valores e o propósito da organização em todas as atividades do colegiado;
  5. Valorizar e garantir espaço ao diferente, ou seja, não permitindo que opiniões divergentes sejam ignoradas pela maioria dos conselheiros;
  6. Orientar cada conselheiro para evitar o microgerenciamento decisório, isto é, entrar em níveis de muito detalhamento dos assuntos da pauta, principalmente com o direcionamento a questões meramente operacionais;
  7. Conduzir o planejamento anual do conselho de administração (junto com o profissional de governança), garantindo que ele seja cumprido;
  8. Fazer com que a avaliação de desempenho do conselho, dos comitês e de seus membros seja efetivamente realizada;
  9. Atuar como mediador quando existir conflitos entre conselheiros e entre estes e o diretor-presidente, sempre com o objetivo de preservar os interesses da organização;
  10. Liderar o processo de transformação digital da estrutura de governança corporativa da organização;
  11. Atuar no sentido de garantir que as boas práticas de governança corporativa sejam observadas e adotadas pelos conselheiros de administração;
  12. Garantir a comunicação regular do conselho de administração com os acionistas e investidores;
  13. Sugerir como prioridade do colegiado a elaboração e execução do planejamento sucessório dos conselheiros e do diretor-presidente;
  14. Orientar os conselheiros sobre a necessidade de mais conhecimento sobre gestão de riscos e estimular o colegiado a conhecer com profundidade a política e os instrumentos de gestão de riscos da organização;
  15. Incentivar a composição do conselho de administração com mais diversidade.

Publicado por Paulo Lima | Editado por Luiz Gustavo Anjos