CEO da ATLAS pretende faturar R$500 mil com a plataforma

Para disputar os clientes das estrangeiras Boardvantage e Diligent nos Conselhos de Administração brasileiros, Eduardo Carone lançou em novembro do ano passado a plataforma digital Atlas Governance. Pouco menos de um ano depois, o negócio alcançou 250 conselheiros, levando o empreendedor a projetar um faturamento de R$ 96 mil para 2018. No ano que vem, ele pretende quase quintuplicar as receitas, estimando um faturamento de R$ 459 mil em 2019. Entre seus clientes hoje estão a rede de lojas Riachuelo e a construtora Even.

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Formados por representantes de sócios e acionistas, os Conselhos de Administração têm como principal missão supervisionar o funcionamento das empresas. São compostos em média por sete cargos, segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), que representam a “cara” da companhia. Esses profissionais são um verdadeiro ativo para as empresas e devem transmitir o máximo de confiança aos investidores.

O que pouca gente percebe é que esses especialistas em seus respectivos mercados são, eles mesmos, um mercado. Em 2016, havia mais de dois mil assentos em conselhos desse tipo no País, também de acordo com o IBGC. Há seis meses utilizando a Atlas, o presidente da Zatix Tecnologia Michel Levy destaca que a segurança, que inclui criptografia e identificação em marcas d’água, é um dos atrativos das plataformas voltadas para a governança corporativa.

“Os membros do conselho têm mais tranquilidade para trocar e arquivar informações confidenciais e estratégicas. Faz parte dessa transformação digital que estamos vivendo”, diz o executivo, que já presidiu a Saraiva e a Microsoft no Brasil.

“Eu via uma certa desorganização nos conselhos. Não era raro receber no dia anterior à reunião algumas centenas de páginas para ler”, conta Carone, que já passou por 19 Conselhos de Administração. “Além disso, depois era difícil de acompanhar a implementação das decisões”. Para atacar essas deficiências, a Atlas agenda os encontros e inclui os documentos na própria plataforma. Outro recurso é blue book, que consolida todos os arquivos anexados à reunião em um único documento.

Um dos principais desafios nesse mercado, conta Eduardo Carone, é não tornar o sistema excessivamente complexo. “O conselheiro em geral é mais velho, às vezes não se entende bem com tecnologia. Buscamos por isso a simplicidade de um iPhone”. Segundo o IBGC, a idade média nos Conselhos de Administração é de 57 anos. O pacote inicial da Atlas sai a R$ 18 mil por ano e permite o uso da plataforma por até 25 usuários.

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ATLAS: organização nas reuniões dos Conselhos

Participar de diversos Conselhos e manter tudo organizado é um grande desafio. Pensando sempre em priorizar os resultados, Eduardo Carone juntamente com a equipe técnica desenvolveu o ATLAS. Confira a entrevista feita para a revista “Istoé Dinheiro” e entenda como foi construir a solução ideal para eliminar a falta de organização nas reuniões dos Conselhos de Administração.

Em novembro de 2017, nasceu a Atlas, uma plataforma digital para empresas organizarem suas reuniões de conselho. Hoje, a startup já atende Riachuelo, Even, Hospital Sabará, entre outras companhias.

Como surgiu a ideia de criar a Atlas?
Sempre fui do mercado de private equity. Fui sócio da Neo Investimentos, que investiu em empresas como a Livraria Cultura, e, em 2013, fundei a Nexto Investimentos. Durante toda a minha carreira, passei por 19 conselhos de administração. Em 2015, eu estava em sete ao mesmo tempo. E estava ficando maluco.

Por quê?
Porque a dinâmica desse negócio varia muito. Tem aquele conselho lindo em que a secretária recebe as informações de todas as áreas, consolida e manda tudo com uma semana de antecedência. E tem aquele conselho em que a reunião é as 8h da manhã e você começa a receber vários emails na noite anterior. Você tem só uma noite para ler 500 páginas de material. E tem também aqueles conselhos em que a gente aprova medidas e elas não são executadas.

Por exemplo…
Lembro que, em um dos conselhos que eu participava, aprovamos a contratação de um D&O (seguro para executivos). Seis meses depois, deu um problema trabalhista na empresa e todos do conselho tiveram as contas bloqueadas. Quando resolvemos acionar o seguro, descobrimos que a apólice não havia sido contratada. O fato é que as reuniões de conselhos de administração no Brasil são muito mal organizadas, não se sabe se o que é aprovado na reunião é executado… E isso acontece com empresas de capital aberto. Por isso, fui procurar softwares para resolver isso. Existem duas: uma se chama Diligent, vendida por US$ 600 milhões, e a Boardvantage, comprada pela Nasdaq por US$ 250 milhões. Elas tinham serviços muito caros e não atendiam ao que eu buscava. Aí, resolvi montar um produto para mim.

E como foi o desenvolvimento?
Em 2016, contratei uma equipe de desenvolvimento. Passamos um ano desenvolvendo e, no fim, ficou um lixo. Jogamos tudo fora. A plataforma tinha ficado muito complexa. Para marcar uma reunião, tinha que preencher oito formulários. Por isso, começamos tudo do zero novamente. Na média, o conselheiro tem o perfil de ser homem, branco, com mais de 55 anos de idade, não tem uma relação tão próxima com a tecnologia. Por isso, tem que ser simples. A Atlas acabou ficando pronta em novembro de 2017.

Mas acabou virando um negócio…
Sim, algumas empresas começaram a me pedir. A Ace, uma das maiores aceleradoras da América Latina, foi a primeira a usar. Ela tem investimento em mais de 180 startups e os seus sócios usam a ferramenta em todas as startups. Outras companhias como Riachuelo, Even e o Hospital Sabará passaram a usar também.

E como o produto é monetizado?
O pacote para 25 usuários custa R$ 18 mil por ano. E cada pacote adicional de 25 usuários cai para R$ 12 mil. A Even, por exemplo, usa no conselho, no comitê de estratégia, no comitê de partes relacionadas… As empresas de capital aberto usam em vários comitês.

Quanto foi investido no projeto?
Investimos R$ 1 milhão e agora estou recrutando pessoas para entrar como investidores na Atlas. Vou captar R$ 1 milhão por 10% da empresa. Não é muito dinheiro, não preciso de caixa, mas são investidores que vão abrir portas para outros conselhos. Serão 20 investidores e cada um entrará com R$ 50 mil. Mais para frente, a ideia é começar a internacionalização da empresa. Meu alvo é os Estados Unidos.

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