12 razões para que a avaliação do conselho de administração seja realizada

Publicado em 17 de Maio de 2021

Avaliação do Conselho de Administração Avaliação do Conselho de Administração

O processo de avaliação de desempenho dos conselhos de administração e de seus membros ainda não é uma prática comum no Brasil. O número de organizações que fazem este trabalho ainda é pequeno, mas tudo indica que este cenário tende a mudar.

Há uma crescente expectativa sobre a capacidade que os conselhos de administração têm para gerar valor e contribuir com o sucesso dos negócios. Como efeitos dessa realidade, aumenta a cobrança para que esses colegiados atuem de maneira mais ativa e que sejam mais colaborativos com a alta administração, além de se preparem melhor para a gestão de riscos e o enfrentamento de crises.

Isso significa que o conselho deve existir não só para monitorar o desempenho do diretor-presidente (CEO), por exemplo, mas para contribuir efetivamente com a melhoria contínua dos processos decisórios e de garantia da execução de tudo que é aprovado e demandado nas salas do colegiado.

Neste sentido, o fato de profissionais com vasta experiência (muitos ex-CEOs) e até mesmo os donos (no caso das empresas de controle familiar) serem indicados como membros do conselho de administração, não os isenta da necessidade de passarem pela avaliação de desempenho.

É preciso entender que muitos nunca trabalharam juntos, que cada organização tem as suas características e que cada pessoa tem as suas respectivas opiniões sobre os assuntos que chegam à sala dos conselhos. Além disso, por mais que sejam experientes e conheçam muito sobre gestão empresarial, economia e empreendedorismo, por exemplo, todos estão sujeitos a erros e ninguém sabe tudo. Isso não é desonra, mesmo para quem é bastante experiente.

Portanto, a avaliação do conselho e de seus membros permite à organização ter melhores condições para construir um colegiado de alto desempenho, ou seja, que realmente contribua para que a organização tome as melhores decisões estratégicas, com a menor margem de erro possível, e se fortaleça cada vez mais em cenários mais complexos, competitivos e de transformações constantes.

Principais razões que justificam a necessidade de avaliação do conselho de administração

01. permite à organização identificar pontos de desempenho do conselho e de seus comitês que estejam com fragilidade e necessitam de ações de melhoria;

02. concede ao presidente do conselho uma visão geral e com detalhes do desempenho do colegiado e de cada conselheiro sobre os temas mais sensíveis e estratégicos para a organização;

03. identifica quais competências e habilidades precisam ser trabalhadas para a melhoria do desempenho coletivo (visão integrada de grupo), em especial a partir do diagnóstico da avaliação individual dos conselheiros;

04. possibilita saber o nível de comprometimento do colegiado com o propósito, a visão e os valores da organização, especialmente em seus processos decisórios e de avaliação e escolha das estratégias;

05. avalia os aspectos (competências) comportamentais dos conselheiros que podem interferir no desempenho do colegiado e, a partir do diagnóstico, permite criar ações de intervenção específicas para cada conselheiro (se for o caso);

06. permite identificar o nível de conhecimento do colegiado sobre temas considerados emergentes (transformação digital, por exemplo) e que demandam uma necessidade de mais estudos e entendimento pelos conselheiros;

07. possibilita saber o nível de conhecimento do colegiado sobre o negócio e de como é o envolvimento do conselho de administração com a alta gestão;

08. permite ao presidente do conselho ou ao profissional de governança saber o que precisa ser melhorado para que as reuniões do conselho sejam mais produtivas;

09. com a avaliação, o presidente do conselho ou o profissional de governança corporativa identifica, por meio da opinião de cada membro avaliado, possíveis obstáculos que impedem uma melhor integração entre os colegiados;

10. com a avaliação, a organização tem subsídios para fazer um planejamento bem estruturado de ações para que o conselho de administração alcance um status de alto desempenho e, assim, passe a colaborar mais ativamente com a alta gestão, principalmente em questões mais delicadas e complexas;

11. com a avaliação, é possível saber o nível de conhecimento dos conselheiros em governança corporativa e sobre a geração de impacto social e ambiental do negócio. Isso é muito importante para se criar no conselho uma agenda positiva sobre a relação direta entre ASG (Ambiental, Social e Governança) e as estratégias de negócio;

12. concede a oportunidade para que os conselheiros avaliem o seu próprio desempenho e dos colegas (360°), incluindo a avaliação do presidente do conselho, além do desempenho do próprio colegiado.

 

Publicado por Paulo Lima | Editado por Luiz Gustavo Anjos