esg

Tudo Sobre ESG: Conheça a sigla que orientará organizações e investidores pelos próximos 100 anos

Publicado em 17 de Dezembro de 2021

ESG é um assunto que vem causando uma série de mudanças consideráveis no cenário mundial. Acredite, isso não é um exagero retórico. E não se trata de mudanças restritas ao âmbito das corporações ou mesmo do mercado de investimentos. Pelo contrário, essa sigla repercute também no comportamento dos consumidores, no impacto social gerado pelas organizações e em aspectos climáticos, que afetam literalmente a todos nós.

Se você se sente perdido em relação a este assunto que – embora não seja tão novo – nunca foi tão atual e relevante, não se preocupe. Neste artigo você encontrará tudo o que precisa saber sobre ESG.

Aqui você lerá acerca dos seguintes tópicos:

  • ESG: o que é?
  • Qual a origem da sigla?
  • Princípios ESG e seus principais critérios
  • Como e quando surgiu o ESG
  • A relevância dos fatores ESG no cenário mundial
  • ESG no Brasil: em qual etapa estamos?
  • Por quê se importar com o ESG
  • Iniciativas globais em ESG
  • Fundos ESG
  • Qual a importância da tecnologia para a implementação do ESG

O que é ESG?

 

O que é ESG

ESG (Environmental, Social and Governance, ou, Ambiental, Social e Governança em português) é um conjunto de princípios que orientam as organizações a atuarem de forma sustentável, investindo em iniciativas ambientais, sociais e de governança. Esses princípios tornam as operações da organização um meio para impactar positivamente o contexto em que está inserida. Isso atrai a atenção de investidores, que cada vez mais optam por investir em organizações ESG, uma vez que tendem a ser um tipo de investimento que oferece maiores rendimentos quando comparados ao geral do mercado - como veremos mais adiante neste artigo – e beneficia o investidor por outros meios como o ganho social e ambiental.

Quando e como surgiu o ESG?

 

Antes de explorarmos o assunto com mais profundidade, vamos entender as origens dos princípios ESG.

A sigla ESG apareceu pela primeira vez como a conhecemos em 2005, em um relatório produzido pela ONU (Organização das Nações Unidas) intitulado Who Cares Wins (ou, em português, “ganha quem se importa”). O  relatório foi uma iniciativa de diversas instituições financeiras a fim de definir orientações acerca de como considerar questões ambientais, sociais e de governança na hora de investir. 

Mas, seria o ESG uma tendência nova e passageira? Embora a sigla tenha aparecido pela primeira vez em 2005, o conceito de considerar a sustentabilidade na hora de investir não é nada novo. Já entre as décadas de 1970 e 1980, o termo SRI (Socially Responsible Investing, ou, em português, investimento socialmente responsável) surgiu como uma iniciativa de fundos de investimento, a fim de definir critérios de contexto social para nortear a escolha dos melhores investimentos disponíveis no mercado.

Ao decorrer dos anos 1980, devido às grandes catástrofes ambientais que assolaram a década, a preocupação em investir em empresas ambientalmente sustentáveis atingiu um outro nível. O mundo passava a tomar conhecimento do estrago que uma organização poderia gerar no meio ambiente. Basta lembrar que, em 26 de abril de 1986, uma explosão em um dos reatores da Usina Nuclear Chernobyl na Ucrânia, liberou uma nuvem radioativa que atingiu países tão distantes quanto a Itália e a Finlândia. A cidade de Pripyat, local em que a usina se encontrava, continuará inabitável para seres humanos pelos próximos 24 mil anos. Foi durante este período que as organizações passaram a considerar com mais cuidado o seu impacto ambiental a fim de não perderem relevância no mercado.

Mais adiante, entre os anos 1990 e 2000, surgiram os primeiros índices de responsabilidade social, entre eles, o MSCI KLD 400 Social Index, com enfoque em investimentos sustentáveis, reduzindo investimentos em empresas do ramo do tabaco, álcool e armamentista. Em 1999, foi criado o índice Dow Jones Sustainability Index, com o objetivo de avaliar o desenvolvimento de empresas segundo critérios que posteriormente chamaríamos de ESG.

Fica claro, portanto, que o ESG não é exatamente um conceito recente, mas sim que já tem sido pauta há algumas décadas e, sem dúvidas orientará as organizações pelos próximos 100 anos.

Princípios e critérios ESG

 

Ambiental (Environmental)

 

A letra E da sigla diz respeito às boas práticas ambientais de uma organização, e leva em conta pontos como:

  • Emissão de carbono;
  • Desmatamento;
  • Gestão de resíduos;
  • Escassez de água;
  • Eficiência energética.

 

Social

 

A letra seguinte, o S em ESG, diz respeito à relação da organização com as pessoas e com as demandas sociais ao seu redor. As boas práticas aqui envolvem temas como:

  • Relacionamento humanizado com o cliente;
  • Diversidade entre colaboradores;
  • Políticas de prevenção ao assédio sexual;
  • Equidade;
  • Relacionamento com a sociedade;
  • Propostas de favorecimento às minorias;
  • Comprometimento com os direitos humanos e normas trabalhistas.

 

Governança (Governance)

 

Já para a letra G, referente à Governança, são considerados aspectos ligados à administração da organização como:

  • Conduta corporativa;
  • Transparência das informações;
  • Composição do Conselho;
  • Estrutura do comitê de auditoria;
  • Remuneração dos executivos;
  • Canal para denúncias.

 

A relevância dos fatores ESG no cenário mundial

 

ESG no mundo

Nos últimos anos, o capital investido em organizações ESG vem crescendo cada vez mais no cenário global. Em 2021, já são mais de 30 trilhões de dólares em ativos de fundos que aplicam recursos apenas em organizações sustentáveis, o que representa 36% do total de ativos financeiros sob gestão no mundo. Só a Europa, leva metade dessa fatia atualmente (cerca de 15 trilhões de dólares). Já os Estados Unidos, possui sozinho cerca de 1/4 do valor (7,5 trilhões). A Europa e os Estados Unidos vêm explorando o conceito de ESG há mais de 6 anos.

Movimentação de investidores para portfólios alinhados ao ESG

 

Com o aumento da relevância do tema ESG mundialmente, organizações que adotam medidas sustentáveis do ponto de vista ambiental, social e de governança passaram a ser mais atrativas aos investidores. Segundo o Bank of America Merrill Lynch Global Research de 2019, organizações bem avaliadas segundo as métricas ESG tendem a superar o mercado em até 3% ao ano.

Investimentos em ESG

O resultado, como já mencionado neste artigo, 36% dos ativos sob gestão em todo o mundo estão em fundos que aplicam o investimento apenas em organizações sustentáveis.

De um lado, as companhias recebem grandes retornos em reputação e imagem pública, pois denotam preocupação com questões importantes para a sociedade. Isso naturalmente atrai um interesse maior dos investidores.  De outro, os investidores ficam satisfeitos em alocar recursos em empresas de impacto positivo. Além disso, ambos ganham com uma maior transparência do processo de monitoramento e apresentação de indicadores de redução. 

Adoção de práticas ESG pelas empresas

 

Fica cada vez mais claro que empresas e organizações são agentes com grande impacto no mundo. Um impacto positivo ou negativo. Esse impacto passa tanto pelo âmbito social quanto por questões ambientais. O cenário atual está longe do ideal, contudo, o tema ESG vem crescendo tanto entre consumidores quanto investidores, o que surte um efeito direto no modus operandi das empresas, seja por interesse genuíno em questões ESG ou por reconhecerem que se trata de um fator cada vez mais necessário para atrair capital.

Atualmente, 24% das bolsas de valores ao redor do mundo têm implementado a divulgação de parâmetros ESG como requisito obrigatório para listagem de ações. Com essa tendência crescendo, é bem possível que em algum momento no futuro a obrigatoriedade na apresentação de relatórios que apresentem parâmetros ESG para empresas que desejem abrir capital na bolsa seja uma realidade.

A bolsa americana, embora ainda não exija a divulgação de parâmetros ESG das companhias listadas, apresentou um considerável crescimento na apresentação de relatórios de sustentabilidade por parte das empresas. Nos últimos oito anos, esse número cresceu de 20% para 90%.

ESG no Brasil: em qual etapa estamos?

 

No Brasil, o tema ESG começou a ganhar relevância em 2020. Contudo, o crescimento no último ano foi considerável. Segundo dados apresentados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), a captação líquida os fundos na categoria sustentabilidade e governança foi de 307,9 milhões de reais entre janeiro e fevereiro de 2021, um crescimento de 787% em relação ao mesmo período do ano anterior. O patrimônio líquido dos fundos na categoria sustentabilidade e governança foi de 1,07 bilhão de reais, quase o dobro que há um ano.

ESG no Brasil

Nos últimos anos, desde o início da pandemia global do COVID-19, a junção de forças entre a população, empresas e organizações mostrou a sua força. Durante este período o Brasil atingiu um recorde nacional de ações filantrópicas e doações que ultrapassaram os R$6 bilhões, uma soma de forças entre civis e empresas. Esta é a principal marca de uma organização que assume uma postura ESG: um cuidado que vai além dos acionistas, mas se estende à comunidade ao seu redor. São empresas que visam mais que lucro, visam um propósito maior e um impacto profundo no mundo.

Mesmo que o Brasil ainda esteja apenas engatinhando na temática ESG em comparação com outras nações, algumas mudanças circunstanciais nos dão uma ideia do que está por vir. Essas mudanças incluem principalmente o comportamento dos investidores e a postura das organizações frente à temática ESG.

Investidores em estágio inicial de consideração dos fatores ESG para investimentos

 

Um indicador importante a se observar para compreender o cenário brasileiro no aspecto ESG é o PRI (Principles for Responsible Investiment, ou, princípios para o investimento sustentável, em português), que apresentaremos neste artigo mais adiante. Mas a fim de estabelecermos o estágio dos investidores no que tange o ESG, podemos usar este indicador para comparar o Brasil com outras regiões do mundo.

O Brasil conta atualmente com 62 membros signatários do PRI. Em todo o mundo, a lista de signatários nessa categoria é de 3.145, ou seja, o Brasil representa apenas 2% do total mundial. Embora o país esteja em um estágio bastante inicial, o avanço tem ocorrido em proporções consideráveis, uma vez que no comparativo com os últimos três anos, o crescimento de signatários do PRI no Brasil cresceu mais de 30%.

Empresas no início do processo de divulgação de informações sobre ESG

 

No Brasil, 88 das 100 maiores empresas realizam seus relatórios GRI. Entre as grandes corporações o relatório já é uma boa prática estabelecida. Contudo, segundo um indicador do IBGE, quando olhamos para o cenário geral, apenas 4,1% das empresas apresentam o GRI. Mas, o que é GRI? Trata-se de um relatório de indicadores de sustentabilidade, uma ferramenta utilizada pelas empresas para desenvolver estratégias que contemplem fatores socioambientais e econômicos.

Divulgar dados de sustentabilidade melhora a relação entre empresa, clientes e investidores. Em um cenário em que o consumidor e o investidor visam cada vez mais organizações sustentáveis, um relatório GRI é um bom indicador para entendermos o estágio de divulgação de informações sobre ESG de empresas brasileiras. Apenas uma pequena parte apresenta relatórios de sustentabilidade como revelou o IBGE, o que aponta um cenário de desenvolvimento nesse aspecto.

Por que se importar com o ESG?

 

Não é um exagero retórico afirmar que a sigla ESG deve orientar as organizações pelos próximos anos. Existem vários indicadores estruturais que apontam para os critérios ESG como indicadores para empresas que desejam ao mesmo tempo manter sua liquidez no mercado e impactar positivamente o mundo.

Dentre os principais motivos para essa mudança (que já está em andamento) queremos elencar ao menos quatro:

1. O engajamento de investidores

 

Já é possível perceber o engajamento dos investidores com princípios ESG devido a um crescente fluxo de capital de ativos ou fundos alinhados a princípios de sustentabilidade e uma redução de aplicações em organizações que representem riscos ambientais e sociais.

Como exemplo, podemos mencionar o fundo soberano da Noruega que retirou U$13 bilhões em ativos que fazem uso de combustíveis fósseis ao invés de alternativas sustentáveis. A BlackRock, maior gestora de recursos do mundo, tem os princípios ESG como a principal estratégia de investimento.

O engajamento crescente dos investidores com a temática ESG é certamente um fator que impactará diretamente as organizações, tanto aquelas que começam a se mover para uma operação sustentável quanto aquelas que permanecem omissas às questões ambientais, sociais e de governança.

2. O comportamento dos consumidores

 

Outro fator indispensável que precisamos levar em conta a respeito da importância dos aspectos ESG é o comportamento dos consumidores. A opinião pública ganha cada vez mais consciência social e ambiental conforme se compreende o impacto de grandes corporações nessas áreas. Lá em 2017, uma pesquisa realizada pela Nielsen com consumidores de todo o mundo mostrou que 81% dos entrevistados acreditam fortemente que as empresas devem ajudar a preservar e trabalhar ativamente em ações de recuperação do meio ambiente.

Atualmente, a interação através das redes sociais deu voz aos consumidores, que agora encontram um ambiente para expor e pressionar empresas que repercutem negativamente sobre aspectos ambientais, sociais e de governança, o que levanta um alerta às companhias, que precisam cada vez mais se adequar a aspectos ESG a fim de garantir sua reputação no mercado e melhorar o relacionamento com seus consumidores.

3. Regulamentações que forçam os tópicos de ESG na agenda de investidores

 

Além do engajamento dos investidores e do comportamento dos consumidores, outro fator importante a se considerar no quesito importância para a temática ESG são as regulamentações, que aos poucos estreitam a direção do mercado de investimento, conduzindo-o cada vez mais a critérios ESG.

Embora no Brasil o assunto esteja apenas começando a florescer, é de se esperar que regulamentações sejam implementadas no país num futuro próximo. Isso porque é possível observar a implementação de regulamentações que forçam os tópicos ESG em outros países conforme o tema se desenvolve ao longo do tempo. Como exemplo, podemos citar o acordo da União Europeia (UE), que definiu regras de divulgação de investimentos sustentáveis.

As regulamentações são o caminho natural conforme o tema ESG se desenrola, ganha o consumidor, o investidor, e por consequência, definem o caminho que as organizações irão trilhar dali em diante.

4. Empresas ESG têm apresentado um bom retorno de investimento

 

Embora não seja uma unanimidade, a grande maioria dos pesquisadores concordam que empresas que adotam princípios ESG são mais rentáveis que aquelas sem políticas específicas. Segundo um estudo realizado pelo PRI, dentre os mais de 2.000 estudos publicados sobre o assunto desde a década de 1970, 63% concordam que existe uma relação direta entre a adoção de políticas ESG e retorno no mercado.

Algumas análises comparativas realizadas pela XP Investimentos lançam luz sobre o assunto. Desde 2019, a NYSE (Bolsa americana) subiu +295%. Se observarmos o mesmo período, mas com foco apenas no índice que contém as empresas mais bem posicionadas no quesito ESG (o índice FTSE4Good US), o resultado é ainda mais surpreendente. A valorização dessas ações foi de +345%, ou seja, 50 pontos percentuais acima do resultado geral.

Ao observarmos o cenário da Europa encontramos mais uma vez um resultado superior no retorno de empresas com enfoque em questões ambientais, sociais e de governança. Desde 2007, o índice com foco em empresas com o melhor rating ESG (o índice MSCI Europe ESG Leaders) superou o resultado geral em 8 pontos percentuais.

Já em uma perspectiva global, o índice usado é o MSCI ACWI, um levantamento do desempenho de todo o conjunto de ações de grande e médio porte, em 23 mercados desenvolvidos e 26 emergentes em todo o mundo. Desde 2014, a performance do índice ESG apresentou um resultado superior em 18,4 pontos percentuais ao índice geral.

Olhando apenas para o mercado emergente, o alfa é ainda maior. Enquanto o índice MSCI EM teve um retorno de +15,4% desde 2007, o do MSCI EM ESG Leaders Index foi de +97,4%, ou seja, +82 pps acima.

Por fim, a comparação final realizada pela XP Investimentos tem como foco o cenário brasileiro. A empresa realizou duas comparações a fim de entender como as empresas com enfoque em ESG performam em relação ao mercado em geral.

Primeiro, foram comparados os índices da MSCI: MSCI Brazil Index e MSCI Brazil ESG Index. Desde 2014, o índice ESG superou em +11 pontos percentuais em comparação ao mercado em geral. Depois, foram comparados os índices ISE, conhecido como Índice de Sustentabilidade Empresarial, e o Ibovespa, que contém as ações das empresas mais negociadas no mercado. Desde a criação do índice ISE, em 2006, o Ibovespa teve uma performance surpreendente, valorizando +202% pontos percentuais. Melhor ainda que o Ibovespa, foi o ISE, ultrapassando +269% de alta no mesmo período, ou seja, +67 pontos percentuais acima do Ibovespa.

Estes quatro pontos, o engajamento dos investidores, o comportamento dos consumidores, as regulamentações que forçam os tópicos ESG na agenda dos investidores e o desempenho de retorno superior ao mercado geral de empresas com enfoque em ações ambientais, sociais e de governança, não deixam dúvida: ESG é a sigla que orientará as organizações nos próximos anos em todo o mundo.

Iniciativas globais em ESG

 

Não é à toa que existem várias iniciativas globais em ESG que visam de alguma forma preservar e desenvolver aspectos ambientais, sociais ou de governança. Confira agora, algumas das principais iniciativas globais.

GRI (Global reporting iniciative)

 

O GRI (Global Reporting Initiative) é uma organização sem fins lucrativos fundada em 1997 para padronizar os relatórios de sustentabilidade apresentados pelas empresas em todo o mundo. O relatório instituído pela GRI está estruturado em quatro frentes: mudanças climáticas, direitos humanos, governança e bem-estar social. As quatro frentes são abordadas em 26 tópicos no manual GRI. O relatório tem como objetivo ajudar empresas e governos a medir e gerenciar o impacto nos três pontos do conceito ESG por parte das organizações.

As normas GRI apresentam as melhores práticas para apresentar informações ESG considerando indicadores socioambientais e econômicos de acordo com o setor da empresa e é um excelente caminho para organizações que desejam dar seus primeiros passos em uma estratégia de gestão mais sustentável. Este tipo de relatório ajuda a manter a transparência e evidenciar o foco em práticas ESG, melhorando a reputação com consumidores, investidores e stakeholders.

Motivos para relatório baseado em GRI

Pacto global

 

Kofi Annan, secretário geral da ONU vigente nos anos 2000, foi o responsável pelo lançamento do chamado Pacto Global, uma iniciativa para empresas e organizações do setor privado com o objetivo de estimular o desenvolvimento sustentável. Ele estabelece 10 princípios universais que servem como balizadores para que as empresas possam seguir uma estratégia sustentável. São eles:

  1. As empresas devem apoiar e respeitar a proteção de direitos humanos reconhecidos internacionalmente;
  2. Assegurar-se de sua não participação em violações destes direitos;
  3. As empresas devem apoiar a liberdade de associação e o reconhecimento efetivo do direito à negociação coletiva;
  4. A eliminação de todas as formas de trabalho forçado ou compulsório;
  5. A abolição efetiva do trabalho infantil;
  6. Eliminar a discriminação no emprego;
  7. As empresas devem apoiar uma abordagem preventiva aos desafios ambientais;
  8. Desenvolver iniciativas para promover maior responsabilidade ambiental;
  9. Incentivar o desenvolvimento e difusão de tecnologias ambientalmente amigáveis;
  10. As empresas devem combater a corrupção em todas as suas formas, inclusive extorsão e propina.

Ao aderir a iniciativa do Pacto Global, a empresa se compromete em apoiar estes 10 princípios e apresentar um relatório periódico dos resultados ligados a eles. Além disso, empresas com um faturamento superior a U$ 50 milhões ao ano contribuem com a iniciativa obrigatoriamente uma vez ao ano. O valor da contribuição varia de acordo com o faturamento.

O Pacto Global é a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa no mundo e conta com mais de 17 mil signatários em 160 países.

Princípios para o investimento sustentável

 

O PRI (Principles for Responsible Investment, ou, princípios para o investimento sustentável, em português) é outra iniciativa da ONU em conjunto com investidores e instituições internacionais com o objetivo de guiar organizações – especialmente os fundos de investimento – segundo princípios de sustentabilidade. Os princípios para o investimento sustentável foram definidos no PRI da seguinte forma:

  1. Incorporaremos os temas ESG às análises de investimento e aos processos de tomada de decisão;
  2. Seremos proativos e incorporaremos os temas ESG às nossas políticas e práticas de propriedade de ativos.
  3. Buscaremos sempre fazer com que as entidades nas quais investimos divulguem suas ações relacionadas aos temas ESG.
  4. Promoveremos a aceitação e implementação dos Princípios dentro do setor do investimento.
  5. Trabalharemos unidos para ampliar a eficácia na implementação dos Princípios.
  6. Cada um de nós divulgará relatórios sobre atividades e progresso da implementação dos Princípios.

princípios para o investimento sustentável

Os 6 princípios do PRI complementam o Pacto Global da ONU que vimos anteriormente no que diz respeito ao encorajamento da adoção de princípios ESG. Eles foram criados por um grupo internacional de investidores institucionais em 2005, com o objetivo potencializar a relevância do engajamento organizacional em questões ambientais, sociais e de governança.

Ao adotar o PRI, o investidor está se comprometendo em adotar e implementar os 6 princípios sempre que estiverem relacionados a sua responsabilidade.

Acordo de Paris

 

O Acordo de Paris é um tratado mundial aprovado em 2016 na vigésima primeira Conferência do Clima e tem como único objetivo enfrentar e diminuir o aquecimento global. Seu principal objetivo é a redução de emissões de gases de efeito estufa. Entre as metas e orientações definidas pelo acordo está a cooperação entre a sociedade civil, setor privado, instituições financeiras, cidades, comunidades e povos indígenas que visam fortalecer ações que diminuam o aquecimento global.

No Brasil, a meta é diminuir as emissões dos gases de efeito estufa em 37% entre 2005 e 2025 e 47% até 2030.

Sustainability Accounting Standards Board (SASB)

 

A SASB é uma entidade criada em 2011 pela acadêmica Jean Rogers, especialista em engenharia ambiental na Califórnia. O objetivo da entidade é promover a divulgação e transparência da sustentabilidade corporativa para investidores a fim de estabelecer um diálogo mais eficiente entre eles e as empresas. A SASB faz isso por meio do estabelecimento de padrões de divulgação de informações segmentadas por setor. No que tange às práticas ESG, esses padrões estabelecidos pela SASB se apoiam em 26 fatores fundamentados em 5 temáticas principais. São elas:

  1. Capital humano;
  2. Capital social;
  3. Liderança e Governança;
  4. Modelo de negócio e Inovação;
  5. Meio Ambiente.

É importante ressaltar que, enquanto o GRI é mais focado nos relatos dos impactos no desenvolvimento sustentável, o SASB é totalmente baseado em princípios ESG.

Fundos ESG

 

Se bateu a curiosidade, você pode conferir agora algumas opções de fundos disponíveis no mercado brasileiro, bem como a estratégia do produto e a gestora responsável:

Fundos ESG

 

 *Fonte: Gestoras e plataformas. Elaboração: Valor Investe.

Qual a importância da tecnologia para a implementação do ESG

 

O papel principal da tecnologia na implementação de princípios ESG nas organizações é a viabilidade. Tanto os projetos que visam aspectos ambientais quanto sociais só saem do papel se a governança for eficiente. É nos conselhos e comitês que as decisões são tomadas. Sem uma governança eficiente, não é possível implementar parâmetros ESG de modo satisfatório.
O “G” da governança é a base que sustenta as práticas ESG.

No que diz respeito a tecnologia aplicada à governança, os softwares (ou portais) de gestão da governança permitem a digitalização de processos que antes eram realizados offline, ou de modo descentralizado, com múltiplas ferramentas e serviços que acabam pondo em risco a segurança da informação.

Os softwares de governança centralizam os processos em uma única ferramenta, tornando a gestão mais simples e eficiente. Eles permitem o acesso à informação de pautas de maneira remota, até mesmo por meio de um smartphone, a assinatura digital de documentos, o acompanhamento dos status de projetos e a fácil localização de atas antigas.

Outro ponto importante que a tecnologia viabiliza no que tange a implementação de princípios ESG é a estruturação e monitoramento dos processos com enfoque em questões ambientais, sociais e de governança. É preciso acompanhar a implementação e as entregas decorrentes das implementações com meio de indicadores chaves que sejam auditáveis.

Gerir toda essa informação sem o uso da tecnologia é inviável em nossos dias. Certamente, as organizações que não atentarem para essa poderosa aliada, perderão potencial competitivo frente a outras que se utilizam da tecnologia para aprimorar processos e garantir uma execução e resultados assertivos.

 

Publicado por Felipe Madruga